domingo, 8 de maio de 2011

A graduação

“A faixa preta representa o começo - o início da jornada sem fim de disciplina, trabalho e a busca por um padrão cada vez mais alto." – Autor Desconhecido
Muitas vezes quando achamos que fazemos bem algo, esquecemos de ser verdadeiros judocas, levamos em conta somente nossa habilidade de vencer e esquecemos a base de ensinamentos desta nobre arte:

         “Suavidade – JU”
         “Máxima eficiência com o mínimo de esforço - SEIRYOKU-ZEN-YO”
         “Bem estar e Beneficio Mutuo – JITA-KYOEI”

Durante a vida nós temos altos e baixos. No meu caso eu tive um distanciamento do judô a partir de 1990, o meu confinamento durou aproximadamente 18 anos, fiquei estagnado no 1º Kiu (faixa marrom), apesar de receber a faixa preta nos EUA, esta não tinha o significado e/ou a representatividade de receber no Brasil.

No final de 1989 já havia feito o katinuque shiai  o objetivo era ganhar cinco lutas seguidas pela pontuação minima, o curso de mesário, o curso e exame de Kata. Faltava ainda o curso de filosofia do Judô, trabalhar de mesário em competições e pagar a taxa para graduação, os itens restantes eu só conseguiria concluir em julho ou dezembro de 1990, mas por circunstancia do destino após o acidente fui obrigado a passar por uma cirurgia no tornozelo.  Este motivo somado a frustração de ficar quase um ano sem andar e mais o desgosto pelo descaso do clube que eu defendia, esta situação me fez repensar o que eu queria para a minha vida e acabei tomando outro caminho.

O "Caminho Suave"  nos faz levar os conceitos e ensinamentos instituídos pelo Mestre Jigoro Kano para o dia-a-dia, ajudando-nos a refletir e agir conforme os estes ensinamentos.

Eu sabia que tecnicamente não era talentoso quando comparado com outros atletas, mas eu tinha o meu diferencial: a dedicação, o trabalho duro e a determinação. E com estas qualidades existia algo na minha personalidade que me impulsionava para frente “a personalidade rebelde”, termo bastante conhecido entre os psicólogos, apesar de precisar de palavras de apoio, incentivo, carinho como qualquer ser humano, eu na maioria das vezes precisava ser desafiado, desacreditado. Uma das coisas que mexia comigo era ouvir: É impossível ou você não vai conseguir. Isto fazia meu rendimento aumentar exponencialmente e isto me fazia avançar e vencer os meus desafios.

Estas qualidades foram moldadas dentro do judô e da família que conheci dentro deste ambiente. Eu quero que isto faça parte da vida dos meus filhos e esta determinação seja passada de geração para geração. Graças a meus filhos e esposa criei coragem para voltar e agora me dedico ao ponto em minha opinião mais difícil - “JITA-KYOEI”, tentando oferecer um pouco do meu conhecimento não só de judô, afinal de judô tem pessoas muito mais competentes do que eu, mas de vida, determinação e trabalho duro.

A entrega da faixa-preta foi feita na “Hombu Budokan” pelas mãos do Sensei Hitoshi Ogawa com a presença dos alunos da noite, e afirmo: Sempre me sinto perdido quando recebo alguma homenagem, neste dia não foi diferente, pois foi uma entrega surpresa e abriu-se uma exceção para que eu recebesse a graduação de kimono azul. SENSEI: “- ARIGATO GOZAIMASSU”.
Por meio desta dedicação recebi minha graduação através da indicação do Sensei Hitoshi e Hatiro Ogawa, e a entrega oficial foi feita pelas mãos do Shihan Massao Shinohara e esta mesma faixa acompanhou meu Pai em sua cremação, foi a maneira que encontrei para homenageá-lo e agradecê-lo.

Fiquei muito emocionado em receber das mãos do Sensei Massao a minha faixa, ele representa tudo de bom nesta arte chamada Judô. A habilidade que mais admiro neste mestre é a capacidade de falar e ouvir, “sua psicologia” – sua capacidade de tirar o maximo de uma pessoa e eu afirmo que ele possivelmente é uma das poucas pessoas que eu conheço que eu não consigo dizer NÃO. De longe com olhos atentos mais ao fundo estavam Sensei Hitoshi e Hatiro Ogawa, que também tenho muito a agradecer.


Nesta passagem encontrei alguns amigos que continuaram sua caminhada enquanto eu estava adormecido, um deles muito próximo Mauricio Kawahara, recebendo o 3º Dan, hoje um dos responsáveis pelos fortes treinos que acontecem na Vila Sonia, como disse em outro post “Eu acredito nele”. O outro era Dagnino (EC Pinheiros) graduando-se como 4º Dan, também vem fazendo um ótimo trabalho no EC Pinheiros e vem passando sua experiência para os mais jovens.



Posso dizer – a experiência é fascinante e me arrependo profundamente de não ter me graduado antes. A emoção se torna maior devido ao meu amadurecimento, se fosse graduado quando mais jovem não daria o mesmo valor.

Por isto termino este post dizendo à frase que ouvi de Sensei Massao Shinohara na década de 80: “O verdadeiro judô começa quando se conquista a faixa-preta”.

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